segunda-feira, 4 de abril de 2011

Destruo-me pouco a pouco, ainda que essa não seja minha real intenção. Jeito estranho de se destruir. Enquanto conseguir manter boa aparência, ainda serei um zumbi sociável. Respiro, logo vivo. Vivo, logo morrerei. E o que acontecerá no meio disso tudo?

22/01/11.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

É realmente triste a sensação de acender as luzes e ter medo de abrir os olhos e enxergar-se no espelho. Por mais remédios que consuma, nenhum deles é capaz de aliviar a dor que sinto em minha alma. O desespero, os suspiros, pensamentos confusos, todos cruzam-se em busca de uma resposta que é dada pelas lágrimas... Morte... De tudo, eu apenas não gostaria que fosse assim...
Se ainda não optei pela Morte, é porque ainda não estou certa de que ela possa trazer consigo tão facilmente a Liberdade que anseio. Se ainda estou viva, é porque sinto que talvez ainda haja algum sentido para essa tal "vida" que possuo... Peço apenas para que não tentem me julgar por minhas escolhas, sejam elas quais forem... Sequer eu sei mais o que pode me acontecer... E é daí que vem toda a graça.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Vagão


É mais uma madrugada envolvida entre jogos e alucinações.  Desta vez, todos os jogos são mentais, o que torna a passagem do tempo ainda mais difícil e tortuosa. Não foram liberados bilhetes para quem está acostumado à mediocridade, todas os caminhos hoje levarão à loucura. A sanidade fora deixada para trás, em algum beco, perdida pelo meio do caminho. Junto a ela, as virtudes e boa parte do bom senso. Sem que soubesse, possivelmente escoaram em meio a um vão no assoalho e dispersaram-se junto a pensamentos, junto aos ratos que agora rondam meus pés descalços, feridos.
Meus próprios refúgios agora me sufocam. A apreciada solidão golpeia-me e a escuidão pisa sobre minha garganta usando salto alto. Todos nós temos fantasmas dos quais queremos nos desvencilhar. E a madrugada é cheia deles. Meu vagão está repleto deles. Assassinos, criminosos sanguinolentos, não há pena que possa condená-los, assim como também não existe a penitência para meus pecados.
A música tortura-me os ouvidos como as cores confundem meu olhar. Visão turva, perturbada, sons gritantes, ruídos que fazem ecoar meu nome. Conheço meu medo tanto quanto me conhece e amedronta-me. Conheço-o muito bem. Ele sabe meu nome. Continua a chamar. A sussurrar... Brada usando os suspiros ofegantes de meu coração adoecido como distração. Um pequeno e sádico sorriso. Gargalhada mortífera. Corta-me a alma, atravessa-me o peito, enfraquece-me como se possuísse direito à foice da Morte. A Morte... O Medo e a Morte exercem sobre minha alma doentia grande fascínio. Suas cicatrizes, a dor pungente, a dança, o vazio, o nada... Alma doentia que sustenta sua vida através daquilo que hoje provoca sua decadência. Espetáculo que ocorre sem platéia, um crime sem testemunhas. Espetáculo que se repete constantemente, mas cujos momentos de glória perdem-se por estes vagões sujos, tão sujos quanto a alma que transita por eles, em círculos, tentando recuperar algo que desconhece, mas em que talvez possa acreditar. Desta vez, não há Deus que possa me salvar.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Reflexos.

Incesto. Culpa. Prazeres mórbidos. O desafino. Desafio. Vida, insana vida. Sadismo. Perversão. Sonhos. E isso é tudo. Embriagada no egoismo, sua única dor é o horizonte que flameja a decepção contundente de um coração partido.

agosto de 2010.

03.08.10

Percebo que muitas vezes começo a escrever com um "já é tarde e não consigo dormir". Será que a insônia pode ser um ponto de partida para a arte? Sinceramente, não sei.
O fato é q nada mudou. Já é tarde. Na verdade, já se foi a tarde. Agora é cedo, bem cedo e ainda estou aqui. Todas as luzes se apagaram. Será que falta muito para a última canção?



Já é tarde e não consigo dormir. Grande novidade. Logo a manhã virá acompanhada de muita cafeína e amargura. Dor. O Blues ecoa seu gemido por entre as paredes de meu quarto. O suspiro atravessa as janelas e meus olhos não desgrudam do luar. E é tudo. Estou sozinha. Sempre sozinha. Não tenho amigos. Não os quero. Não são suficientes para mim. Talvez ninguém seja. Sou uma fraude, até quando tento ser farsante. Narcísea? A verdade é que sou pouco. Para eles, para mim, para o mundo. Não passo de uma frustração. E é só. Nem isso consigo fazer do modo certo, o sono bate, os sonhos vêm. Uma sonhadora sem escrúpulos, uma frustrada sem coração que chora com o fim da primavera e que esnoba inverno a fora os sentimentos que a mantém viva.

domingo, 18 de julho de 2010

Já é tarde e mais uma vez não consigo dormir. Em minha cabeça, reviravoltas, pensamentos, rodamoinhos de emoções. Sozinha na companhia de Bukowski. O último copo é virado antes de, sem pensar duas vezes, atirar-me ao chão envolta pela melancolia desregrada. A maciez da sarjeta conforta aqueles que encontram nas ruas escuras e vazias seu lar.
Rimbaud já escreve suas últimas linhas, mais um cigarro prestes a se apagar. Tubércula imoral, despejo através do sangue cada gota da honra que um dia prevaleceu na face outrora iluminada pelo sol das manhãs. O cheiro de vinho barato que exala meu hálito, rude epicédio de uma existência melancólica. As horas demoram a passar. Tão longas... Tão longas... Tão longa minha dor...
O Whisky queima as feridas em minha língua. Feridas em minha boca... Queima com a dissimulada tentativa dos alcoóis de aquecer o que resta de meu coração. Sem ilusões, aqui não falo de sentimentos ou decepções, falo da matéria em si que insistentemente teima em pulsar em meu peito. Estou podre, por dentro e por fora, e esteja o coração, dentro ou fora, digo que já não há o porquê.
Mais uma garrafa partida em pedaços, como os pedaços que antes refletiam meu ser. Ser monótono e ingrato! Não há mais volta, ele diz. Se na vida tanto em vão tentei encontrar-lhe um sentido, talvez na morte este me acolha e console.
Já não posso mais acompanhá-lo, caro Byron, em suas impressões. Sequer o vislumbre cósmico será capaz de resgatar um único pensamento meu hoje.
Os boeiros, os buracos, os ratos. Até mesmo os ratos fogem de mim. Caída alí, inanimada. Sem uma única estrela no céu a observar a decadência existencial sob sua magnitude. A chuva cai incessantemente sobre meu rosto. O vento corta minha pele e a umidade penetra como se lá não existisse nada. Não há. Fria como uma serpente, sou aquela que se perdeu antes mesmo de corromper Eva. Não tenho salvação. Não quero. Tudo o que peço é que apague a luz e saia antes que a última música se acabe...

Maldita Fada Verde! Se fosse púrpura, pareceria-me mais ingênua...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Não preciso de pessoas que digam que não vivem sem mim. Apenas sempre busquei pela companhia daqueles que acreditam que são capazes de viverem felizes ao meu lado.


E isso faz toda a diferença.

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