segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Destino torpe

Papéis, papéis. Sequer mais lápis uso, máquinas modernas me são exigidas. Papéis me são exigidos. Letras, páginas, poemas, sentidos. Exigem que eu escreva e exigem que eu goste de escrever. Mas roubaram tudo o que havia em mim. Roubaram o meu amor. Roubaram-me a arte e a fantasia. Roubaram-me o anseio e a liberdade de expressar por essas linhas aquilo que sinto, aquilo que quero escrever. Escrevo, hoje, pois sou obrigado. Queria eu ter estudado para ser tiete do governo. Estudaria para executar um trabalho feito de modo magistral e sem grande esforço. Não, todo poeta sonha, e como todo sonhador, acaba rendendo-se a sua própria perdição. Então, aqui estou eu, escrevendo. Escrevo, não mais por prazer, mas para sobreviver. Decerto, não são sonhos ou ideias que sobrevivem, mas minha decepção.
Vivo desnutrido, pois alimentar-me é uma obrigação. A obrigação do poeta é morrer pelos vícios. Nem mais a bebida ou o cigarro me são livres sem que venham carregados de tal contradição. Até mesmo os pequenos prazeres escatológicos do homem primitivo me foram roubados. Sinto-me perturbado toda vez que sento-me sobre a louça levemente manchada da toalete ou sou levado ao gozo por uma prostituta qualquer.


É fadado ao homem crescer, arranjar um bom emprego, constituir família e ser feliz. Entretanto, a vida é breve demais... E esvai-se como um suspiro; um pedaço de unha roída de meus dedos que será para sempre perdido, junto a tantos outros pedaços de homens esquecidos, sem qualquer identidade, na poeira do aspirador.

23/05/2014.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

"Sou um conhecedor de estradas. Tenho experimentado estradas durante toda a minha vida... Essa estrada que nunca acaba... Provavelmente, vai sempre ao redor do mundo..."

Hoje, minha estrada é a da perdição.

Incrível admitir que se possa passar mais tempo nas estradas do que sob um teto. Seja o teto de um lar, um quarto de hotel, uma igreja, um santuário, um bar, bordel. A vida é uma estrada a qual se escolhe percorrer. Tantas estradas, tantas opções... Nasci nas estradas e sei que nelas encontrarei também o meu fim. São elas o meu caminho.
Tanto tempo nas estradas, cada curva reflete o meu ser... Inconstante, perturbadora, tênue, densa, escura, clara, sombria, solitária, perigosa, longa, breve, curvas... Vazia... Estou vazia e esse vazio reflete-se nas estradas por onde passo. Vazia por dentro. O vazio de fora... Tão poucos anos e a estrada me fez assim. Como conhecedora de estradas, torno-me também conhecedora da vida. Tantas coisas vi... Tantas coisas vivi... Tantas coisas apenas sonhei... Já não será o bastante? Vi tanto pelas estradas em que passei, que já não sei mais se quero ir além. Hoje, o vazio das estradas me assusta. Incomoda-me. Pois sei que aquele vazio pertence apenas a mim. O reflexo de si mesmo é a face da verdade que se renova para se esconder. Sinto-me velha. Estou desgastada. Preciso de um descanso, preciso do tempo. Tempo e Espaço perdem-se na imensidão das estradas... Buraco negro da alma.
Estradas sempre me fizeram bem. Fizeram-me livre. Tiraram de mim tudo aquilo que eu não precisava... Mas não sei se é para elas que eu quero voltar...

sábado, 23 de abril de 2011

Os olhos mais melancólicos que eu já vi...
Pareciam conter todas as dores do mundo escondidas naquela lágrima que escorria no silêncio. 
Lágrimas escorrem com as gotas de chuva que molham a sua pele fria. 
Esteve frente a frente com a face do desespero, enquanto ainda podia ver seu reflexo na poça que agora se tornava enlameada. 
Um suspiro.
Encolhia-se na tentativa de se esconder daquilo que há dentro de si mesma... 
Sombras formam a imagem de fantasmas criados por sua própria mente...
"... Estou retrocedendo..." 
Pouco a pouco, retorna àquilo que foi antes de nascer... 
Um sonho... 
Um desejo... 
Uma lembrança... 
Nada...
Horrífico instante. 
A cada segundo, mais perto de deixar de existir...
E as lembranças são esquecidas. 
As brincadeiras ignoradas. 
O tempo perdido. 
Ações impensadas.
Esperando o tempo consumí-la... 
Ou embriagando-se de tristezas, para que ele não acabe por escravizá-la...



Enquanto esperamos, angustiadamente, por uma resposta, mais e mais questões aparecem, sem solução, em um amálgama labiríntico, cercado de sonhos, medos e frustrações. Por isso que não respondo, talvez, diretamente à sinais Apocalipticos, quando estes lançados ao vento. Talvez seja este o caminho das perguntas... Não uma solução, mas uma contradição ou algo que as fortaleça, até esbarrarem com sua oposição. Quem sabe não seja isso que as torne tão atrativas e nos vicie cada vez mais em sua busca, mesmo que desacreditados...
Somos seres sem salvação, todos nós, largados na vida simplesmente para partirmos de encontro com a morte. Diferente do que já pensei, talvez as pessoas saibam muito mais do que aquilo que demonstram conhecer. No fundo, todos temos a consciência do caminho que nos leva a vida. Porém, o medo que pode representar essa grande incógnita faz com que a maioria de nós prefira disfarçá-la das formas mais bizarras possíveis... Esta grande contradição que é a morte, sendo ela a única certeza da vida, o nosso fim certo, de desenrolar incerto... Ela que é nosso maior medo... Porém nosso maior anseio... Ela... A bela, atraente, silenciosa e fatal dama das sombras... É ela que habita nosso inconsciente... É por ela, a paixão renegada da espécie humana, que moldamos nossa vida.

Desta grande contradição, o único final que é certo; de desenrolar incerto...


13.12.2009.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Eu que não sou religiosa, hoje busco pela minha paz ao lado de um Deus. Sinto que, a cada segundo, minha alma é mais d'Ele, do modo como meu corpo também pode ser, sem que, para isso, diferente dos demais deuses disponíveis entre todas as culturas e religiões, a Morte encontre-me primeiro.
Desiludida em todas as crenças, já sem esperanças, meu Deus, com Sua palavra, faz com que eu tenha vontade de prosseguir ao encontro de meu caminho. Todos os caminhos, por fim, levam a Deus.
Em minhas orações, tudo o que eu peço a Ele é para que tente não se esquecer de mim. Deus Apocalíptico, controverso, Ele é mais racional do que se imagina, entretanto, acredito em seu amor. "Devemos temer e amar a Deus" - foi isso o que Ele me ensinou.
Já não posso mais recorrer àqueles velhos refúgios pré-estabelecidos. Sou a minha pior droga e não há mais tratamento que cure a minha loucura. Meu Deus acredita na liberdade. E eu, n'Ele. Que assim seja.

09/01/11.

Destruo-me pouco a pouco, ainda que essa não seja minha real intenção. Jeito estranho de se destruir. Enquanto conseguir manter boa aparência, ainda serei um zumbi sociável. Respiro, logo vivo. Vivo, logo morrerei. E o que acontecerá no meio disso tudo?

22/01/11.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

É realmente triste a sensação de acender as luzes e ter medo de abrir os olhos e enxergar-se no espelho. Por mais remédios que consuma, nenhum deles é capaz de aliviar a dor que sinto em minha alma. O desespero, os suspiros, pensamentos confusos, todos cruzam-se em busca de uma resposta que é dada pelas lágrimas... Morte... De tudo, eu apenas não gostaria que fosse assim...
Se ainda não optei pela Morte, é porque ainda não estou certa de que ela possa trazer consigo tão facilmente a Liberdade que anseio. Se ainda estou viva, é porque sinto que talvez ainda haja algum sentido para essa tal "vida" que possuo... Peço apenas para que não tentem me julgar por minhas escolhas, sejam elas quais forem... Sequer eu sei mais o que pode me acontecer... E é daí que vem toda a graça.

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